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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Como se vestir para um protesto


Não, não, isso não é um guia de como combinar seu cartaz com o look da manifestação ou de que penteados chamarão a atenção do gatinho rebelde. Você pode ignorar esse fato, mas a roupa que você usa para o protesto pode te proteger de balas de borracha e bomba de efeito moral. E admito que esse post surgiu de uma revolta que eu tive ao ver adolescentes na minha cidade usando shorts e camisetas da Hollister no protesto do dia anterior. 

1. Cubra a pele
É completamente irracional ir protestar usando um shortinho. Além de você poder passar frio - estamos no inverno, galera! Venta de noite! - você ainda está zero protegida contra sprays de pimenta, bombas de efeito moral e balas de borracha. Por mais que você não seja um arruaceiro, já vimos repetidas vezes que os policiais não levam em conta as ações dos manifestantes antes de atacarem. Tá no meio? Tá correndo risco de ser atingida. 

2. Prefira tecidos grossos e sintéticos
Você não precisa levar aquele seu casaco de nevasca - aliás, outra dica: prefira roupas práticas, que você não vai precisar segurar o dia inteiro. Um casaco de um tecido mais grosso e calças jeans são ideais, porque  te protegem com mais eficácia. Os tecidos naturais, como algodão, absorvem melhor o spray de pimenta e o gás lacrimogêneo, afetando mais a sua pele. Como ninguém quer ir com uma roupa de mergulho completa para o protesto, uma capa de chuva para cobrir o corpo já está ótimo para te proteger dos gases e dá - dãh - chuva.

3. Evite acessórios
Deixe em casa seus brincos, colares, pulseiras e piercings, que podem te machucar no meio da muvuca. Na verdade, evite qualquer tipo de acessório extravagante - pelo amor de Deus, a última coisa no qual você pensa durante um protesto é se você está bastante fashion. Manifestações não são a New York Fashion Week. E essa é uma blogueira de moda falando.

4. Prenda o cabelo
O ideal é um coque, mas um rabo de cavalo e uma trança também podem funcionar. O cabelo comprido é um grande revés nesse tipo de situação. Pode prender em algum lugar, prejudicar sua visão e ainda ser um alvo para engraçadinhos de plantão, no meio do povo. Praticidade é a palavra chave, o cabelão é zero prático.

5. Use sapatos confortáveis
Essa é um tanto quanto óbvia, né? Ninguém vai pra manifestação de scarpin. O sapato ideal para um protesto é o coturno, aquelas botas militares, mas um tênis serve muito bem. Evite chinelos, que podem arrebentar ou se perderem no meio da multidão, e sandálias e sapatilhas, que, depois de muito andar, podem acabar machucando.

6. Não use marcas expostas
Nem todo mundo que vai ao protesto é de boa fé. Muitos bandidos se aproveitam do empurra-empurra para saquearem os manifestantes, e usar uma camiseta com Abercrombie escrito no peito é como escrever no seu cartaz "por favor, me assalte". Prefira camisetas lisas, discretas, sem estampas e logomarcas. Deixe em casa seu moletom da Gap. Também evite cores chamativas - se a sua causa tiver uma cor, como o branco das manifestações atuais, isso é garantia de que terá muita gente usando a mesma cor no lugar, e você não quer chamar a atenção.

Tude certinho, gente? Algumas dicas são do site Chic, adaptadas ao meu jeito, e algumas outras são minhas. Mas agora que você já está no dress code, vamos pra rua!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

#vemprarua


Vem pra rua fazer parte do livro de história dos seus netos. Vem pra rua sentir a mudança. Vem pra rua pra ver que não são os vinte centavos, assim como não foi a destruição do parque na Turquia e nem foi a morte do verdureiro da Tunísia. Vem pra rua pra olhar com seus próprios olhos o que a tevê não exibe e o jornal não publica. Vem pra rua por uma causa que vale sua própria vida. Vem pra rua com a gente. Nós não somos os bandidos, não somos os vândalos, não somos os criminosos que falam por aí. Nós somos você, que está lendo esse texto. Somos seus filhos, sobrinhos ou netos, lutando pelo futuro dos nossos próprios filhos, sobrinhos e netos. Somos os filhos da revolução. Somos o futuro da nação. Nós nascemos e crescemos, tivemos amigos e amores, e agora lutamos por um amor em comum. A esperança. Uma moça bonita que a gente carrega pela estradas, por essas mesmas ruas por onde você passa todos os dias. Esperança ficou quieta por um tempo. Mas agora ela fala mais alto. Agora ela acorda. E, junto dela, acorda o Brasil. Acorda a multidão de estudantes que sofrem abusos por você, que vota, assiste novela e lava as cuecas do seu filho. Ele tá lá na rua, viu, senhora? Tá lá, fazendo história. História com gosto de vitória que fica na memória. O Brasil acordou e tá lá na rua. Vem você também.